Apoiantes de Trump usam tiroteio para "demonizar" comunidade transgénero

  • 29/08/2025

No seguimento de um tiroteio em Minneapolis, no estado norte-americano de Minnesota, na quarta-feira, dia 27 de agosto, que matou duas crianças e feriu 17 pessoas, o círculo de apoiantes do presidente dos Estados Unidos, conhecido como MAGA ('Make America Great Again') saiu em ataque à comunidade transexual.

 

Serve relembrar que a atiradora, Robin Westman, era uma mulher transgénero, de 23 anos, que tinha alterado o nome em novembro de 2019 (na altura com 17 anos) com a ajuda da mãe.

Robin foi descrita pelas autoridades como alguém que "tinha muito ódio contra uma variedade de pessoas e grupos de pessoas" e "uma obsessão perturbadora com autores de tiroteios em massa anteriores".

Uma das pessoas que Robin, aparentemente, odiava era exatamente Donald Trump, tendo escrito numa das três armas que usou no tiroteio "Kill Donald Trump". Em português, "matar Donald Trump".

Esboço, armas e obsessão: Atiradora do Minnesota publicou vídeos online

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A autora do ataque - armada com uma espingarda, uma caçadeira e uma pistola - aproximou-se da parte lateral de uma igreja e abriu fogo, através das janelas, sobre as crianças que estavam sentadas em bancos a assistir à missa na primeira semana de aulas, na Escola Católica Annunciation. Já foi identificada como sendo Robin Westman, uma mulher transgénero de 23 anos.

Notícias ao Minuto com Lusa | 20:28 - 27/08/2025

O caso chocou a comunidade local, mas também todo o país, e gerou diversos comentários, nomeadamente, nas redes sociais e de figuras da direita norte-americana (e ligadas ao governo), que consideram que a transexualidade uma doença mental.

O que disseram os apoiantes de Trump?

Alex Bruesewitz, um dos conselheiros de Trump e uma figura central no plano digital da administração norte-americana, escreveu na rede social X que Westman era "mais um terrorista trans tresloucado".

Nessa publicação, e em várias outras que se seguiram, Bruesewitz, acusa os líderes democratas (da oposição) de defenderem a comunidade transexual enquanto atacam cristãos que rezam pelas vítimas do ataque.

"Eles empoderam e encorajam esta mentalidade doente e comportamento demoníaco. É doentio e errado. Temos de parar de normalizar isto!", afirmou.

Já um dos conselheiros do secretário da Defesa e criador do podcast ‘Dear America’, Graham Allen, disse, citado pelo Le Monde, que a violência levada a cabo por transexuais é o resultado de uma "possessão demoníaca".

"A transexualidade é um cancro mental/espiritual que não tem lugar na nossa sociedade", afirmou no X.

Já Benny Johnson, um também podcaster, conhecido nos Estados Unidos, disse que "é claro que o movimento trans está a radicalizar os doentes mentais para que se tornem terroristas violentos que visam matar crianças".

O líder da organização Turning Point USA, Charlie Kirk, questionou se a atiradora estava a fazer terapia hormonal ou se estava a tomar antidepressivos.

Estes são apenas alguns comentários de pessoas influentes dentro do círculo de apoiantes de Donald Trump, pelas redes sociais muito ecoam o mesmo pensamento sobre a comunidade sexual e aproveitam o tiroteio para defenderem a sua posição.

O governador do Minnesota, Tim Waltz, após o incidente, apelou a que os atos de uma pessoa não fossem generalizados a toda a comunidade, considerando que "quem usar isto como uma oportunidade para demonizar a nossa comunidade trans perdeu todo o sentido de humanidade".

Tiroteio em escola investigado como terrorismo. Quem era Robin Westman?

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Robin Westman- armada com uma espingarda, uma caçadeira e uma pistola - aproximou-se da parte lateral de uma igreja e abriu fogo, através das janelas, sobre as crianças que estavam sentadas em bancos a assistir à missa na primeira semana de aulas, na Escola Católica Annunciation. Atiradora tinha programado a divulgação de um manifesto no YouTube.

Carmen Guilherme com Lusa | 23:31 - 27/08/2025

Da esquerda norte-americana o argumento permanece o mesmo: é preciso legislar o acesso às armas - o que, para muitos, é visto como uma defesa da atiradora.

A discussão antiga nos Estados Unidos. A direita argumenta que o direito à posse de arma está consagrado na Constituição nacional e que tentar limitar o acesso seria uma medida que violaria diretamente os direitos dos cidadãos.

A esquerda discorda, e considera que os sucessivos tiroteios, nomeadamente em escolas com mortes de menores (mas não só), poderiam ser evitados se houvesse um maior controlo na venda de armas.

Uma das espingardas que Robin Westman usou no ataque é vendida por cerca de 800 dólares - o que ronda os 680 euros.

Mãe de atiradora de Minneapolis não está a cooperar com as autoridades

Mãe de atiradora de Minneapolis não está a cooperar com as autoridades

Mãe da responsável pelo ataque numa escola católica dos EUA era funcionária na instituição em questão. Autoridades dizem que está "perturbada" e que não tem sido fácil conseguir que esta preste declarações.

Andrea Pinto | 07:54 - 29/08/2025

Leia Também: Harper e Fletcher morreram no tiroteio de Minneapolis. Famílias reagem

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2845486/possessao-demoniaca-apoiantes-de-trump-falam-em-terrorismo-trans#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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