"Aqueles que o acusaram de poucochinho tiveram de enfiar a viola no saco"

  • 09/02/2026

A antiga candidata presidencial Ana Gomes frisou, esta segunda-feira, que quem acusou António José Seguro, no domingo eleito Presidente da República, de "poucochinho", foi obrigado a "enfiar a viola no saco". A socialista considerou ainda que "o derrotado da noite foi André Ventura", uma vez que os portugueses demonstraram que "não querem o discurso de ódio, semeador de violência e estigmatizante de algumas pessoas".

 

"[A vitória de Seguro], para mim, foi uma grande emoção, porque acho que há uma mensagem clara que os portugueses deram: não querem o discurso de ódio, semeador de violência, estigmatizante de algumas pessoas por parte do opositor de António José Seguro. E, sobretudo, porque foi uma grande vitória pessoal de António José Seguro", começou por dizer Ana Gomes, na SIC Notícias.

A antiga diplomata justificou que, apesar de ter sido uma lufada de ar fresco para o Partido Socialista (PS) e para os "humanistas, progressistas e democratas de todos os quadrantes que o apoiaram, mesmo só na segunda volta", tratou-se de "uma grande vitória pessoal, porque exigiu coragem".

"Eu talvez tenha sido das primeiras pessoas que disse que ele tinha possibilidades e que o apoiou dentro do PS. Houve várias vozes que até se pronunciaram de forma muito deselegante contra ele. Não é novidade; de alguma maneira, levaram ontem uma [chapada de] luva branca. Já tinham levado antes, por parte de António Costa, quando lhes tirou o tapete, dando a entender que votava em Seguro", concretizou.

Ana Gomes equacionou ainda que, como o socialista "fez todo este percurso graças à maneira de ser dele", acabou por inspirar "confiança aos portugueses".

A jurista assumiu também que fez sentido que o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, tenha aparecido, tendo em conta que "eles são amigos".

"Foi dar-lhe um abraço. Sei que eles são amigos e foi dar-lhe um abraço, mas também não fazia sentido lá estar mais; até porque não estava mais nenhum outro líder partidário. [Mas] é evidente que o PS foi importante. Na altura em que tomou posição, eu fui uma das pessoas que disse que o PS não tardou a tomar posição: tomou quando era necessário, se bem que tivesse havido várias vozes, que eram escusadas, como já disse, a apoucar António José Seguro. Aqueles que, no passado, o acusaram de poucochinho, agora tiveram de enfiar a viola no saco", atirou.

Ana Gomes confessou, contudo, que o PS "errou várias vezes", particularmente quando não apoiou a sua candidatura presidencial, em 2021.

"De cada vez que o PS se dividiu ou não tomou posição, bom, a Direita ganhou. Neste momento, a situação era muito mais complicada, porque estava em causa um candidato claramente empenhado na Constituição, na democracia, capaz de ouvir toda a gente, capaz de federar, contra um que semeia a violência e que quer destruir a democracia. Portanto, a escolha acabou por ser clara e o PS fez atempadamente a escolha que se impunha, tal como outras pessoas de outros quadrantes", considerou.

A socialista frisou ainda que, na sua ótica, "o líder da Direita democrática é o atual primeiro-ministro", contrariando o presidente do Chega, que tem vindo reclamar esse título como seu. Salientou, aliás, que "o derrotado da noite foi André Ventura".

"Quem vai vendo o fácies do personagem percebeu que ele estava realmente desapontado, porque há uma excitação no personagem que, claramente, ontem estava em baixo. O discurso quis transmitir outra coisa, mas ele foi, de facto, o derrotado da noite. Essa é uma mensagem importantíssima que os portugueses deram, e não deram apenas para consumo nacional; isto é um sinal para o mundo", disse, ao mesmo tempo que salientou que, "nos próprios Estados Unidos, todos aqueles que estão a lutar contra o patrão dos Ventura europeus [Donald Trump] estão muitos satisfeitos com este sinal de sanidade, de consenso, de capacidade de convergência no que é essencial democraticamente".

Recorde-se que Seguro foi eleito Presidente da República com 3.483.470 votos expressos (66,82%), quando faltam apurar 20 freguesias, de oito municípios. André Ventura, por seu turno, obteve 1.729.471 votos (33,18%).

António José Seguro tomará posse perante a Assembleia da República a 9 de março, enquanto o sexto Presidente da República eleito em democracia, depois de António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Aníbal Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).

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FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/politica/2936305/aqueles-que-o-acusaram-de-poucochinho-tiveram-de-enfiar-a-viola-no-saco#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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