Bragança gera onda de solidariedade para ajudar populações afetadas
- 02/02/2026
O município, em colaboração com a Cáritas Diocesana Bragança-Miranda e Cruz Vermelha de Bragança, lançou um apelo à população no fim de semana para que fossem doados bens, que serão entregues nas localidades mais afetadas pela tempestade, como Marinha Grande e Vieira de Leiria.
Em declarações à Lusa, Cristina Figueiredo, diretora da Cáritas Diocesana Bragança-Miranda, revelou que só na manhã de hoje já foram entregues vários alimentos e produtos de higiene na instituição.
"As pessoas já nos habituaram a esta solidariedade e quando há um apelo as pessoas acodem em massa", disse, salientando que "a distância não é nada e hoje são eles e amanhã podemos ser nós" a precisar de ajuda.
Há vários pontos de recolha na cidade, sendo que, além da Cáritas e da câmara, as pessoas podem entregar os donativos na Cruz Vermelha de Bragança, nas igrejas e ainda no Colégio de Santa Clara e no Clube Académico, que também se juntaram à iniciativa.
"Temos a informação de que estão a solicitar roupas de bebé e até aos 15 anos e é isso que também estamos a fazer. Durante esta manhã já estamos a fazer essa seleção de roupas para enviarmos", acrescentou.
A presidente da câmara de Bragança, Isabel Ferreira, também destacou a "onda de solidariedade grande" e revelou que na terça-feira será feita a primeira entrega.
Segundo a autarca, às 17:00 já tinham conseguido recolher, além de alimentos e produtos de higiene, também roupas para camas e ainda material de construção, como "telhas, lonas e sacos de plástico pretos".
"As empresas também se estão a mobilizar muito a disponibilizar material de construção e ajudar depois na entrega se for necessário", avançou.
Os donativos podem ser entregues até quarta-feira e serão recolhidos e concentrados nos armazéns do município.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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