Câmara de Alvaiázere defende que apoio do Governo é "um bom princípio"
- 03/02/2026
"Neste momento, nada é suficiente. Analisei com muita brevidade as medidas disponibilizadas pelo Governo. Parece-me um bom princípio. Não sei se serão suficientes, mas [...] ainda não estamos nessa fase. Nós ainda estamos na fase de lutar contra esta devastação que assolou muitos territórios e também Alvaiázere", afirmou João Paulo Guerreiro (PSD), em declarações à Lusa.
Falando no quartel dos bombeiros de Alvaiázere, o autarca disse que a primeira fase é serem acionados os seguros quanto aos danos provocados pela passagem da tempestade Kristin, na quarta-feira da semana passada, inclusive prejuízos de particulares, empresas e entidades públicas.
"Vamos perceber o que está e o que não está coberto e, depois, numa fase seguinte, vamos analisar com calma as medidas propostas pelo Governo, perceber se são suficientes", acrescentou, considerando que é importante que o Governo esteja a preparar medidas de apoio, "porque vão ser necessárias".
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Questionado sobre qual o montante estimado de prejuízos em Alvaiázere, João Paulo Guerreiro respondeu que essa não é a principal preocupação do município, mas adiantou que "são imensos", perspetivando que o valor se situe "na casa das dezenas de milhões de euros".
"Vamos, numa fase seguinte, preocupar-nos com isso. Agora, a nossa principal preocupação é a recuperação das pessoas, que elas sintam, novamente, um regresso a uma normalidade possível, é evitar que surjam mais danos materiais nas habitações e nas empresas e também nos edifícios públicos", referiu.
Segundo o autarca, o concelho de Alvaiázere, com 161 quilómetros quadradas de área e cerca de 6.400 habitantes, foi atingido "em mais de 95% do parque habitacional e empresarial", e as infraestruturas públicas também sofreram "impactos muito significativos", inclusive o centro de saúde e a Loja do Cidadão, bem como as escolas, que só irão reabrir na segunda-feira, depois de serem desobstruídas todas as vias.
Na segunda-feira, o presidente da Câmara de Alvaiázere pediu "desesperadamente apoio de bombeiros", porque os da corporação local estão exaustos.
O pedido foi respondido com a chegada de corporações de bombeiros de Lisboa, membros do Exército e da Guarda Nacional República, o permite "ter uma capacidade de resposta mais robusta", indicou o autarca.
"Neste momento, a nossa maior prioridade é arranjar materiais para pormos estes homens e estas mulheres no terreno a trabalhar", referiu, relatando que existe no mercado "muita falta de materiais".
Reforçando que é preciso reparar as coberturas danificadas, até porque se prevê chuva nos próximos dias, o autarca apelou à entrega de lonas, telhas, cordas e materiais de fixação.
Ao dia de hoje, Alvaiázere tem cerca de 25 pessoas acolhidas no pavilhão desportivo, por onde já passaram mais de uma centena, e a preocupação é que o número passar "aumentar exponencialmente devido às condições climatéricas".
Cerca de 60% da população do concelho já tem energia elétrica e cerca de 95% do território com abastecimento de água garantido, revelou ainda o presidente da câmara, acrescentando que a retoma das comunicações está "a recuperar aos poucos".
"Acho que uma semana depois já deveríamos estar bem melhor em termos de comunicações", disse.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
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