"Impossível evacuação em massa da Cidade de Gaza de forma segura"
- 30/08/2025
"É impossível realizar uma evacuação em massa da Cidade de Gaza de forma segura e digna nas condições atuais", disse Mirjana Spoljaric em comunicado.
"Tal retirada desencadearia um movimento populacional massivo que nenhuma área da Faixa de Gaza é capaz de absorver, dada a destruição generalizada das infraestruturas civis e a extrema escassez de alimentos, água, abrigo e assistência médica", acrescentou.
O exército israelita declarou a Cidade de Gaza como uma "zona de combate perigosa" na sexta-feira, em preparação para uma grande ofensiva convocada pelo Governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, com o objetivo declarado de derrotar o grupo islamita Hamas e trazer de volta todos os reféns.
O exército israelita não solicitou explicitamente a evacuação da cidade, mas um porta-voz afirmou na quarta-feira que era "inevitável".
"Muitos civis não poderão obedecer a uma ordem de retirada porque estão famintos, doentes ou feridos", disse Mirjana Spoljaric.
"Se for dada uma ordem de evacuação, segundo o Direito Internacional Humanitário, Israel deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que os civis tenham de condições satisfatórias em termos de abrigo, higiene, saúde, segurança e acesso a alimentos (...). Estas condições não podem ser atualmente satisfeitas em Gaza", declarou a responsável do CICV.
"Isto torna qualquer evacuação não só inviável, mas incompreensível nas circunstâncias atuais", insistiu.
De acordo com uma estimativa da ONU, aproximadamente um milhão de palestinianos estão na Cidade de Gaza. Milhares de residentes já fugiram da cidade, situada no norte do enclave palestiniano.
Nas últimas três semanas, Israel intensificou os seus bombardeamentos aéreos contra Gaza e intensificou as operações nos arredores desta cidade, a maior deste território assolado pela fome, segundo a ONU.
Apesar da crescente pressão, tanto internacional como interna, para colocar um fim à guerra, o Governo de Benjamin Netanyahu afirmou a sua intenção de continuar a ofensiva na Faixa de Gaza para destruir o Hamas.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada após um ataque sem precedentes do Hamas a Israel, em 07 de outubro de 2023, quando morreram mais de 1.200 pessoas e cerca de 250 foram sequestradas. No enclave palestiniano, mais de 63.00 pessoas morreram desde o início da guerra.
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