Jordânia rejeita ser usada para atacar Teerão
- 02/02/2026
"Reiterei a posição firme da Jordânia sobre a necessidade de respeitar a soberania dos Estados e que a Jordânia não será um campo de batalha para nenhuma das partes em qualquer conflito regional, nem uma plataforma de lançamento para ações militares contra o Irão", disse Ayman Safadi na rede social X após a conversa com Abbas Araqchi.
O chefe da diplomacia de Amã indicou também que "a Jordânia enfrentará com todas as suas forças qualquer tentativa de violar o seu espaço aéreo ou ameaçar a segurança dos seus cidadãos", referindo-se ao voo de caças ou ao lançamento de mísseis sobre o território jordano.
Durante a conversa, ambos os políticos discutiram os "esforços para reduzir as tensões" entre o Irão e os Estados Unidos, enquanto Safadi destacou a "necessidade de diálogo e diplomacia como meios para alcançar uma solução pacífica para a questão nuclear" e pôr fim às disputas com Washington.
As agências de notícias iranianas Tasnim e Fars, ligadas à Guarda Revolucionária, informaram hoje que Teerão e Washington vão iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano nos próximos dias.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Ismail Baghaei, confirmou que Teerão está a ultimar os detalhes de um processo diplomático com os Estados Unidos e que espera fazer um anúncio nos próximos dias.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse no domingo que espera um acordo com o Irão, após o líder supremo iraniano, 'ayatollah' Ali Khamenei, ter alertado para o risco de uma "guerra regional" se a República Islâmica for atacada.
"Espero que cheguemos a um acordo", disse Trump aos jornalistas na Florida, acrescentando, em resposta às declarações de Khamenei: "Se não houver acordo, veremos se ele tinha ou não razão".
O líder da Casa Branca tem dirigido nas últimas semanas repetidas ameaças de ataque militar no Irão, que começaram por ser justificadas como uma resposta à repressão das autoridades de Teerão dos protestos antigovernamentais ao longo de janeiro.
Posteriormente, Trump exigiu também um acordo sobre a política nuclear de Teerão, reforçando as ameaças com o destacamento de uma frota naval dos Estados Unidos para o Médio Oriente, liderada pelo porta-aviões "USS Abraham Lincoln".
As palavras de Ali Khamenei foram reforçadas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, que, em entrevista à estação televisiva norte-americana CNN, considerou que uma guerra com os Estados Unidos "não é inevitável", embora adicionando que seria "uma catástrofe para todos" se fosse iniciada.
O chefe da diplomacia de Teerão referiu que, dada a dispersão das bases norte-americanas no Médio Oriente, "grandes partes da região seriam envolvidas, e isso seria extremamente perigoso".
"Estamos a trabalhar com os nossos amigos da região para encontrar uma forma de criar este nível de confiança e retomar as negociações", observou.
Abbas Araqchi referiu também que está a trabalhar com os países da região para "retomar as negociações", ressalvando, no entanto, que o Irão deve ver reconhecido o seu direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e que as sanções internacionais devem ser retiradas.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou, numa audição na quarta-feira na Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado em Washington, que o Irão está "mais fraco do que nunca", com a economia "em colapso", e, ao contrário do que acontecia no passado, o regime mostra-se incapaz de responder às reivindicações dos protestos.
Na semana passada, as autoridades iranianas anunciaram que pelo menos 3.117 pessoas morreram nos protestos, iniciados em 28 de dezembro contra a elevada inflação e desvalorização da moeda nacional.
Os números oficiais são contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.
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