Letónia e Lituânia investigam cidadãos mencionados no caso Epstein
- 03/02/2026
A porta-voz da polícia da Letónia, Simona Gravite, confirmou a abertura de uma investigação, acrescentando que as informações divulgadas estão a ser "compiladas e avaliadas".
"Estamos também a cooperar com outras instituições letãs e iremos solicitar informações no âmbito da cooperação internacional", referiu.
Laura Krastina, porta-voz do Ministério Público da Letónia, explicou à agência Efe que um procurador, cuja nomeação ainda está pendente, "coordenará a investigação iniciada pela Polícia do Estado e prestará apoio para que se chegue a uma decisão fundamentada".
A Letónia aparece 507 vezes numa pesquisa rápida nos documentos de Epstein.
Na vizinha Lituânia, país que aparece pelo menos 1.216 vezes nos documentos de Epstein, Elena Martinoniene, chefe do departamento de comunicação da Procuradoria-Geral da Lituânia, adiantou à Efe que é necessária uma investigação preliminar.
As autoridades daquele país báltico estão a investigar se terão de solicitar assistência e informações adicionais aos EUA.
Em comunicado, a Procuradoria-Geral da Lituânia anunciou que, em conjunto com a polícia, vai iniciar uma investigação sobre possíveis crimes de tráfico humano com base numa "avaliação mais detalhada dos dados iniciais publicados nos documentos do caso Jeffrey Epstein" e relacionados com o país báltico.
Tanto a emissora pública lituana LRT como a emissora pública letã LSM noticiaram que alguns cidadãos letões e lituanos foram mencionados nos arquivos de Epstein.
A LRT noticiou que Valdas Petreikis, empresário e organizador de eventos, encerrou as suas atividades e desistiu de organizar um festival de música de verão agendado para o final do ano, depois de ter sido mencionado como tendo realizado transações financeiras com Epstein no passado.
Petreikis nega ter conhecimento das atividades criminosas de Epstein na altura em que este fez pagamentos, em 2017 e 2018, a organizações ligadas ao empresário lituano.
Na Letónia, a LSM noticiou que indivíduos ligados a Epstein estiveram em contacto com modelos e agências de modelos letãs, citando um e-mail de um associado de Epstein naquele país a elogiar a beleza física das mulheres letãs.
Este 'media' letão indicou que a maioria das menções à Letónia nos documentos de Epstein datam de cerca de 2007 e referem-se a contactos com uma agência de modelos.
A LSM observou ainda que existem ficheiros que sugerem que o próprio Epstein pode ter visitado a Letónia por volta de 2009.
A Estónia, o terceiro país báltico, é mencionada 234 vezes nos arquivos de Epstein.
O Estonian World noticiou que um e-mail de 2014 nos arquivos de Epstein mencionava "um primeiro-ministro estoniano" que terá enviado uma fotografia ao falecido em 2019.
Taavi Roivas, que foi primeiro-ministro entre 2014 e 2015, negou qualquer contacto com Epstein ou qualquer conhecimento da fotografia.
A polícia estónia não respondeu ao pedido de reação da Efe.
Também a Polónia anunciou a criação de uma 'task-force' dedicada a lidar com o potencial alcance da rede no país e, embora ainda não tenha iniciado uma investigação oficial, afirmou que tomará medidas para garantir que os responsáveis sejam efetivamente processados.
O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, indicou que, se necessário, Varsóvia irá solicitar aos Estados Unidos o acesso a quaisquer ficheiros não divulgados que "possam referir-se a potenciais vítimas polacas ou a rastros [sobre] polacos" no caso.
Epstein foi encontrado morto na sua cela de uma prisão federal em Nova Iorque, com um lençol atado ao pescoço, em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de exploração sexual.
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