Marinha resgata mulher isolada pela água. E tem 35 botes em prontidão
- 03/02/2026
A Marinha Portuguesa enviou 400 militares para prestar apoio à população afetada pela depressão Kristin, nomeadamente na região Centro do país. Os militares operam em terra e nos rios, revela a Marinha em comunicado divulgado esta terça-feira.
Esta madrugada, a Marinha resgatou uma mulher com cerca de 65 anos que se sentiu mal e que se encontrava isolada devido ao aumento do nível das águas, em Granja do Ulmeiro, no concelho de Soure. Este resgate foi feito com o apoio dos elementos do INEM.
Os militares da Marinha, em coordenação com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), prosseguiram com os trabalhos de reparação elétrica e manutenção de geradores, bem como de contenção e reparação de danos de habitações nas zonas de Leiria, Coimbra e Batalha.
Em comunicado, a Marinha acrescenta que se procedeu também à "desobstrução de cerca de três quilómetros de estrada e à limpeza de troços mais obstruídos do rio Lis, do qual foram retirados mais de 60 toneladas de detritos".
Já na zona de Alcácer do Sal, encontram-se elementos da Direção de Combate à Poluição do Mar (DCPM), da Autoridade Marítima Nacional (AMN), a "efetuar o reforço da capacidade de esgoto de água das áreas inundadas, com recurso a eletrobombas e motobombas".
Tendo em conta as previsões meteorológicas para os próximos dias, há 35 botes prontos e posicionados para ações de reconhecimento, vigilância e monitorização nas zonas ribeirinhas com risco de cheias, nomeadamente:
- Oito botes para atuar no rio Vouga e Douro, posicionados em Ovar;
- Oito botes para atuar no rio Mondego, posicionados em Montemor-o-Velho, Coimbra e Soure;
- Oitos botes para atuar no rio Tejo, posicionados em Tancos;
- Cinco botes para o rio Sorraia, posicionados em Coruche;
- Seis botes para atuar no rio Sado e no rio Tejo.
"A Marinha continua a aumentar, de forma gradual e de acordo com as solicitações, o número de militares e meios no local, estando até ao momento empenhados cerca de 400 militares, 41 viaturas, 35 botes, quatro geradores e 12 drones, a que acresce um helicóptero em prontidão", conclui a mesma nota.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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