Ministro venezuelano critica "alguns políticos" após detenção de opositor
- 09/02/2026
As pessoas libertadas "saíram, reencontraram as famílias, até que se manifestou a estupidez de alguns políticos que pensam que podem fazer o que querem (...) violando as condições" da liberdade condicional, afirmou Diosdado Cabello, questionado sobre a nova prisão de Guanipa.
Guanipa, um antigo vice-presidente do parlamento, de 61 anos, tinha sido libertado da prisão, dois dias antes da votação anunciada de uma lei de amnistia histórica na Venezuela.
O Ministério Público da Venezuela indicou, em comunicado, ter pedido a um tribunal a revogação da libertação de Juan Pablo Guanipa por, supostamente, "ter verificado o incumprimento das condições" impostas pelas autoridades judiciais.
Detido em maio de 2025 sob acusações de conspiração eleitoral, Guanipa foi posteriormente indiciado por terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio.
A Prémio Nobel da Paz Maria Corina Machado condenou a detenção de Guanipa.
"Há alguns minutos, Juan Pablo Guanipa foi sequestrado no bairro Los Chorros, em Caracas. Homens fortemente armados, vestidos à civil, chegaram em quatro veículos e levaram-no à força", escreveu Machado na rede social X.
"Exigimos a libertação imediata", acrescentou.
María Corina Machado disse, em Washington, que mantém a intenção de regressar à Venezuela mesmo após a detenção de Guanipa.
"Não afeta o meu regresso de forma alguma. Muito pelo contrário", disse a líder opositora.
A maioria da oposição venezuelana, agrupada na Plataforma Democrática Unitária (PUD), respondeu que o ex-deputado não violou nenhuma das medidas impostas pelo tribunal.
Guanipa foi libertado no domingo à tarde juntamente com outro grupo de opositores próximos de María Corina Machado.
Depois disso, liderou, juntamente com outros ativistas políticos, uma caravana de motas e carros que foi para várias prisões apoiar familiares de presos políticos e, horas mais tarde, foi novamente preso.
Ramón Guanipa, filho do opositor, indicou que pelas 23:45 (03:45 em Lisboa) homens não identificados, sem uniforme e armados, levaram o pai depois de intercetar e atingir o veículo em que este viajava com outro grupo de pessoas.
"Perante a agressividade destas pessoas, o meu pai decidiu sair e levaram-no", relatou.
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