Paraplégico realiza o mergulho mais mortífero do mundo: "É como o abismo"
- 09/02/2026
Shaun Gash tem 55 anos, é paraplégico, não tem a perna direita e realizou, em setembro de 2025, o mergulho mais mortífero em todo o mundo, naquele que é apelidado de "Cemitério dos Mergulhadores". É o primeiro paraplégico a completar o feito.
Shaun sofreu um acidente de carro quando tinha apenas 20 anos, em 1991. Estava no lugar do passageiro quando o condutor fez uma má curva e perdeu o controlo da viatura.
O carro despistou-se e Shaun não morreu quase que por milagre, segundo os médicos. Mas o acidente deixou as suas feridas: uma lesão na medula espinal na vértebra T5, quatro costelas e o ombro esquerdo fraturados e ambos os pulmões perfurados.
Shaun ficou paraplégico, paralisado do peito para baixo.
"Estava muito em baixo depois do acidente - tinha pensamentos suicidas", confessou ao New York Post. "Demorei muito tempo a aceitar o que aconteceu", mas a fisioterapia ajudou.
Lá, recordaram-no que ainda tinha alguma mobilidade: "Ainda tinha força nos meus membros superiores. Vi pessoas que não tinham isso".
"Assim que me aceitei e ao meu corpo pensei: 'Só tens de continuar a viver a vida. Que mais é que pode correr mal?'", contou. "O pior cenário possível já tinha acontecido. O maior risco que ainda corro é morrer, mas isso é igual para toda a gente".
Em 2018, teve de amputar a perna direita
Determinado a "continuar a viver", Shaun treinou arduamente para "não precisar de cadeira". Os esforços deram resultado e permitiram que o norte-americano se aventurasse em desafios, que poucos conseguem completar.
Em 2018, durante uma dessas aventuras, Shaun decidiu escalar o ponto mais elevado no Reino Unido, a montanha Ben Nevis, na Escócia, com 1.345 metros de altura. Durante o caminho, ficou com a perna direita esmagada e foi obrigado a amputar o membro.
Mesmo assim, continuou. Anos depois, em outubro de 2024 percorreu 300 quilómetros de canoa, entre Chirundo e a Zâmbia, em Moçambique, numa viagem que levou sete dias a terminar.
Durante todo o percurso ouvia e via leões, hipopótamos e até crocodilos, e tinha hienas e búfalos a passear perto da sua tenda de noite.
"Conseguia ouvi-los a rosnar, foi muito entusiasmante. Eu não tinha qualquer estratégia de saída - se quisessem, tinham-me comido", contou.
Shaun treinou seis anos para o mergulho mais fatal do mundo
Por fim, em setembro de 2025 fez-se ao "Buraco Azul", no Egito, o "Cemitério de Mergulhadores", onde se estima que, só nas últimas décadas, 200 pessoas tenham morrido. Shaun treinou durante seis anos para conseguir alcançar o feito.
"É como o abismo", descreveu. "Nunca ninguém como eu tinha sequer tentado antes. Acho que o fiz com cerca de 10 minutos de ar no tanque", acrescentou.
O mergulho em causa envolve uma descida de 30 metros, seguidos de outros 300 metros em direção a um buraco gigante. O "Buraco Azul" tem cerca de 100 metros de profundidade e é ligado ao mar aberto através de um longo túnel.
O comprimento desse túnel aliado à profundidade significa que os mergulhadores que tentam lá chegar consomem o oxigénio nos tanques muito mais rápido do que o normal, tornando o mergulho, por isso, o mais perigoso em todo o mundo.
Com este feito, Shaun quebra o seu terceiro recorde mundial: o primeiro mergulhador classificado a atingir 40 metros de profundidade, permanecer debaixo de água durante 60 minutos e completar o "Buraco Azul".
Pode ver as imagens do mergulho na galeria acima.
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