Políticos e ativistas tunisinos acusam Presidente de deteriorar liberdade de imprensa
- 02/02/2026
O documento, assinado por 160 pessoas e publicado nos meios de comunicação social, denuncia "repetidas tentativas" do Presidente da Tunísia, Kais Saied, para transformar os 'media' estatais em "porta-vozes do poder executivo" e exige a "reativação dos órgãos reguladores independentes" e "o máximo respeito pelos princípios democráticos".
O texto refere que Saied interfere na linha editorial dos órgãos de comunicação social, o que os signatários consideram um "ataque à liberdade de imprensa" e ao trabalho dos jornalistas.
"O chefe do poder executivo recebe frequentemente os diretores das empresas públicas de comunicação social e interfere diretamente no seu trabalho e linha editorial, o que é um ataque ao princípio da neutralidade dos meios de comunicação públicos e à liberdade de imprensa", denunciam os signatários no documento.
Os signatários rejeitam também as nomeações de responsáveis da rádio e televisão estatais, que, segundo adiantam, "contribuíram para a transformação dos meios de comunicação públicos em ferramentas de propaganda para promover as autoridades e ocultar a verdade dos cidadãos".
Além disso, destacam a "perseguição e processos judiciais" contra os proprietários de meios de comunicação privados e a "intimidação dos profissionais da imprensa", levando ao encerramento "de espaços para o debate público" e transformando-os em "fóruns que carecem até da neutralidade e do profissionalismo mais básicos".
Por outro lado, a petição rejeita o chamado decreto 54, que pune quem produz ou divulga "notícias falsas, boatos ou informações difamatórias" com penas de até cinco anos de prisão e multas diversas.
De acordo com o documento, esta perseguição visa "marginalizar e diminuir o setor jornalístico e mantê-lo refém" das autoridades, obrigando os profissionais a absterem-se de publicar determinadas informações.
Perante a situação, os ativistas exigem o fim da "interferência direta nos 'media'" e o estabelecimento de uma autoridade superior independente para a comunicação social em todos os seus formatos.
Os signatários anunciaram ainda a sua intenção de coordenar uma mobilização nacional nos próximos dias para defender os meios de comunicação social "neutros e profissionais", bem como o direito dos jornalistas a exercerem a sua profissão "com total liberdade e independência".
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