Presidente de transição da Guiné-Bissau diz que "lugar do perturbador é na cela"
- 02/02/2026
O dirigente falava numa cerimónia no palácio da presidência guineense, em Bissau, em que foi promovido da patente de major-general para a de general de exército (quatro estrelas), o mais alto escalão das Forças Armadas do país.
Sem se referir a ninguém em específico, o Presidente guineense de transição, que é igualmente líder do Alto Comando Militar que protagonizou o golpe de Estado no dia 26 de novembro passado, instou as autoridades civis e militares a se unirem em prol da Guiné-Bissau.
"O perturbador, o seu lugar é na cela para aí refletir sobre a sua conduta", observou o general, num discurso transmito pela comunicação social local.
O presidente eleito do parlamento e líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, esteve detido na Segunda Esquadra de Bissau durante 66 dias e na sexta-feira, 30 de janeiro, foi transferido para a sua residência sob vigilância da polícia e de militares.
O general Horta Inta-a afirmou que a luta em curso no país "não visa vingar ninguém", que tudo está a ser feito em prol do povo guineense e que os cidadãos precisam se unir como fizeram os combatentes da liberdade da pátria.
"Nós somos um país que enfrentou e derrotou o inimigo de armas nas mãos. Tomámos a nossa independência de forma unilateral", enfatizou o Presidente guineense de transição.
O primeiro-ministro do governo de transição, Ilídio Vieira Té, elogiou a postura do agora general de exército Horta Inta-a ao longo de décadas de serviço em que, disse, "sempre demonstrou firmeza de caráter e competência profissional".
A 26 de novembro de 2025, os militares tomaram o poder, depuseram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, e o processo eleitoral foi interrompido sem a divulgação dos resultados oficiais da votação realizada dias antes.
Vários opositores políticos do regime de Sissoco Embaló foram detidos, entre eles o principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira.
Simões Pereira e o histórico partido PAIGC foram afastados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta.
Nos dois meses no poder, os militares alteraram a Constituição da Guiné-Bissau, atribuindo mais poderes ao Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para 06 de dezembro.
Nesta sexta-feira passada, um grupo de dirigentes e militantes do PAIGC defendeu que o líder, Simões Pereira, não pode dirigir o partido em prisão domiciliária, e pediu uma direção de transição até ao congresso que deverá ocorrer em novembro para escolher um novo líder.
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