Tejo mantém caudais estabilizados em alta e pior da cheia "terá passado"
- 13/02/2026
Às 19h00, eram registados 5.447 metros cúbicos por segundo (m3/s) no ponto de medição em Almourol, Vila Nova da Barquinha,ligeiramente acima dos 5.286 m3/s medidos às 07h00.
"Aquilo que foi acontecendo ao longo do dia era o expectável, com estabilização em alta dos caudais. Continuamos com as zonas baixas submersas e com cerca de 5.500 m3/s em Almourol", afirmou à Lusa o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém, David Lobato.
Segundo David Lobato, é previsível "um pequeno aumento durante a noite", devido à chuva que caiu ao longo do dia e que começa agora a afluir às bacias, mas sem perspetiva de novo pico semelhante ao de 05 de fevereiro, quando o caudal atingiu cerca de 8.600 m3/s.
"O pico de cheia foi no dia 05 e não me parece que voltemos a ter outro igual ou semelhante. Julgo que haverá um aumento, mas não como o que tivemos nesse dia", afirmou.
De acordo com dados do Centro de Produção Tejo-Mondego, as descargas nas barragens a montante totalizavam às 19:00 cerca de 5.328 m3/s, distribuídas por Castelo do Bode (931 m3/s), Pracana (339 m3/s) e Fratel (4.058 m3/s), num quadro que o responsável classificou como resultado de "excelente coordenação" entre entidades portuguesas e espanholas.
Com a redução da pluviosidade, as ribeiras e linhas de água da região registaram, entretanto, descidas, o que poderá contribuir para a desobstrução de estradas e para aliviar gradualmente o caudal do Tejo, caso se confirme a previsão de abrandamento da chuva nas próximas horas e dias, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
"Se não chover mais, amanhã [sábado] os caudais poderão começar a baixar devagarinho, paulatinamente", indicou.
Ainda assim, o rio deverá manter-se com caudais elevados durante vários dias, permanecendo submersas as zonas baixas ribeirinhas.
O pico da cheia foi registado em 05 de fevereiro, quando o caudal atingiu cerca de 8.600 m3/s em Almourol, estação de medição que reflete o conjunto total de descargas a montante e dos caudais acumulados de afluentes do Tejo, e foi acionado o alerta vermelho.
A Proteção Civil mantém e reforça os avisos preventivos, apelando à população para que não atravesse estradas submersas ou devidamente sinalizadas, numa altura em que os solos continuam saturados e persistem quedas de árvores, derrocadas e submersão de vias em vários pontos da região.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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